sábado, 7 de janeiro de 2012

Nem tudo é o que parece

                                           
A relação entre duas mulheres pode ser a mais delicada e a mais bruta, tudo ao mesmo tempo, misturado e bem resolvido. É a complexidade de cada mulher multiplicada e dividida. Quem ignora e tenta mascarar isso tudo está simplesmente ignorando a beleza desse tipo de relacionamento, tá “aguando o bom do amor”. Lógico que eventualmente, mentira, quase sempre, forma-se um padrão curioso: uma projeção de uma imagem masculina e feminina na relação. Agora, não entenda como se isso tivesse necessariamente uma projeção na estética. Não, a coisa é mais complicada e envolvem as atitudes diárias, uma gosta mais de esportes ou entende mais e carros, a outra cozinha com mais prazer ou tem mais talento nas atividades domésticas.

Imagine duas meninas num relacionamento, uma troca o galão d’água enquanto a outra vê um jogo de futebol na TV, isso quer dizer que ambas são extremamente masculinas, né? Não! Claro que não, larga de preconceito bobo! E se você vê uma menina e saia curta e blusa bonitinha, toda maquiada e no salto, aí ela é passiva, né?! Errado de novo, ela pega mais mulher que você, se liga. Normal, a ciência já provou que todo mundo pode ter o cérebro ‘mais masculino’ ou ‘mais feminino’, muito normal, mas ainda assim fascinante de observar. Imagem não é nada, hoje mais que nunca podemos parecer e aparecer da forma que quisermos. Como diria nosso presidente “Nunca na história desse País”, na verdade, nunca na história mundial houve uma época tão confusa e difícil de definir as pessoas por uma imagem pré-definida. Não se engane, isso é bom, nos leva a conhecer as pessoas. But I digress... O que dizia é que, no fim das contas, o ‘homem da relação’ pode ser a menina de vestidinho, scarpin, unhas grandes e bem feitas, luzes no cabelo etc. É mais comum do que você pensa. Talvez isso tudo seja mais uma fase, talvez não. Quem garante que não foi sempre assim? Só porque as lésbicas mais masculinas são percebidas mais claramente como gays pela sociedade baseada nos estereótipos e afins, não quer dizer que elas eram o único ‘tipo’.

Um relacionamento com papéis muito bem definidos acaba se tornando monótono, até mesmo em relações entre homem e mulher, essa obrigação de um só ser forte, provedor, extremamente racional e nada emocional é tão defasada que nem vale à pena discutir, todo mundo já sabe. Imagine a dificuldade de isso acontecer entre duas mulheres. Mulheres que mudam de humor doze vezes por dia, sem querer entrar no clichê de que toda mulher é extremamente emotiva, não é isso. É que nós conseguimos ser várias ao mesmo tempo, tem algo a ver com as ondas alfa e beta do cérebro ou coisa assim... De qualquer forma, homens e mulheres são mutáveis, mesmo em curtos espaços de tempo, mas a meu ver, mulheres sentem-se mais livre pra isso. E o interessante mesmo é essa troca, de atitudes, emoções, de experiências.

Uma relação entre duas pessoas, seja qual for a combinação de gênero, é baseada na conquista e manutenção da harmonia. Esse objetivo, por mais distante que pareça se atinge com trabalho e adaptação e, bem, pra que essa ocorra é necessário uma fluidez na forma de agir, maleabilidade (se me permitem dizer). Um precisa segurar a barra enquanto o outro tá confuso demais pra lidar com questões práticas, e o outro precisa colocar um pouco de romantismo na vida do casal quando um está preocupado demais com um trabalho. E isso não tem nada a ver com o sexo das pessoas, ou com o jeito que elas se vestem. Relacionamentos são sempre difíceis, sempre serão, o que os define não é o grande presente que se ganha no aniversário 1 ano ou a viagem fabulosa que vocês fizeram nas férias, não. É mais simples e assustador que isso. É só a forma que se age, todos os dias das suas vidas. Cuidado e divirtam-se.

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